Vidas secas
A tal lei seca imposta a condutores de veículos tem gerado grande discussão nos últimos dias.
Concordo que a lei é exagerada em alguns pontos. Algo como multar um motorista flagrado a 61km/h numa avenida onde o limite é 60km/h.
Entretanto, se está ruim com ela, pior sem ela. Bem ou mal, foi um avanço.
Estou cansado de ver imbecis saindo de bares, baladas e churrascos sem condições mínimas de conduzir um automóvel.
Algo tinha que ser feito. E foi. Se a lei não é perfeita, que seja aperfeiçoada então. O que não podemos agora é dar um passo atrás.
Mas me incomoda bastante o número de pessoas esclarecidas que é totalmente contra a lei, dizendo que ela inviabiliza o almoço de domingo ou o chopinho que acompanha a pizza no sábado a noite.
Todos os bêbados que eu conheço se auto proclamam como responsáveis. “Quando bebo um pouquinho a mais dirijo até melhor, pois vou mais devagar”, dizem. E não são poucos os que comungam dessa idéia genial!
Será que custa tanto assim escolher um dentre a galera que será proibido de beber naquela balada pois vai levar todo mundo embora no final da noite? É assim nos países melhores do que o nosso e todo mundo vive muito bem.
Entretanto, o absurdo maior foi a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes ter protocolado uma Ação Direta de Inconstitucionalidade no STF. Veja aqui.
Segundo a tal Associação, a nova lei “atenta contra as garantias e liberdades individuais”.
Temos pouquíssmos deveres e direitos demais. Essa é a conclusão a que se chega quando uma associação de classe tem a cara-de-pau de dizer uma coisa dessas e esperar que a levem a sério.
Quer dizer que agora o cidadão também tem garantidos a liberdade e o direito de beber e dirigir, desde que o faça responsavelmente?
Eu também acho que tomar um copo de cerveja e dirigir não é o fim do mundo. Mas também não é o fim do mundo deixar de tomar o tal copinho porque a lei determina assim. Grande coisa!
E dizer que a lei é ruim porque muitos vão perder o emprego graças à redução da venda de bebidas é algo tão risível que nem vale a pena comentar.
