Estou saindo do armário!
Mas, obviamente, entendeu errado.
A afirmação do título nada tem a ver com sexualidade e sim com futebol.
É que me cansei da seleção brasileira (assim mesmo, em letras minúsculas).
E já faz tempo!
Minha desilusão com o escrete canarinho começou em 1990, quando dormi durante os jogos contra Escócia e Costa Rica. E passei raiva no jogo das oitavas, quando perdemos para Cláudio Caniggia e Diego Maradona.
Começou naquela época o estilo brucutu de jogar, com o anão dunga chefiando a retranca.
Depois, em 94, deixei de assistir in loco a Brasil x Suécia na primeira fase. Me recusei a gastar dinheiro com um time que tinha medo de perder.
E o medo continuou até a final, quando ganhamos com um anti-gol de Baggio.
Em 98 fiquei envergonhado com as mentiras de Zé Galo e Cia. Ltda. Fiquei enojado quando anunciaram Edmundo no time titular para a final com a França porque “Ronaldinho teve uma lesão no tornozelo”.
Bastaria dizer que Ronaldinho tivera um problema médico. Mas não, tinham que brasileiramente mentir!
Em 2002 vencemos graças a um gol espírita de Ronaldinho Gaúcho. Aquela Copa foi a única que me deu algum prazer nos últimos 20 anos. Torcia por Scolari, mas não entendo até hoje o que estavam fazendo Ricardinho e Edílson naquele grupo.
E chegou 2006. Uma vergonha do começo ao fim. Já naquela época tinha vontade de mandar às favas aquele monte de milionários folgados, gordos e descompromissados com o Brasil, com o futebol, com a torcida brasileira.
O único compromisso que tinham era com os próprios bolsos.
Esse é o compromisso que permanece na Copa 2010.
É ele que faz Júlio César criticar a bola da Copa, fabricada pelo concorrente de seu patrocinador. É o compromisso com o lucro que faz de Luis Fabiano um crítico da mesma bola. Claro, ele é patrocinado pela Nike.
Ninguém viu nem verá Kaká ou Grafite se insurgindo contra a Jabulani. Eles ganham uma nota preta da Adidas. Por isso suas opiniões são desprovidas de credibilidade.
Não obstante esses assuntos alheios ao futebol, eis que na seleção estarão o craque Kléberson, reserva do Flamengo, o fantástico Doni, reserva da Roma, o espetacular Júlio Baptista, reserva da mesma Roma.
Farão companhia a eles, os não menos habilidosos Josué e o grande ídolo da torcida brasileira, Felipe Mello.
Outro prestes a escrever seu nome na galeria de craques imortais do futebol brasileiro é Michel Bastos, um verdadeiro Nilton Santos dos tempos modernos.
Temos ainda jogadores de fina estirpe como Elano e Tiago Silva compondo o escrete.
ME RECUSO A TORCER PARA ESSA GENTE!
Tenho vergonha desse time. A torcida brasileira mal reconhece os rostos de boa parte dessa turma. Sem contar que após a derrota, basta que “esqueçam a tristeza” na balada e voltem para suas mansões na Europa. E a vida continua.
A partir de agora sou torcedor da Selección Argentina de Fútbol.
Vamos Argentina, vamos a ganar!
Pronto! Saí do armário! Agora não preciso mais esconder que gosto muito da Seleção Argentina.
Na verdade já fazia um tempo que admiro demais o futebol argentino. Aplaudo o amor que tem pela camisa que vestem.
Mas sempre me senti acuado em manifestar a minha admiração não só pela seleção deles, mas também pelo país, pela torcida e pela cultura daquele povo, digna de elogios.
Mas agora chega! Deixei a escuridão do armário para trás! Agora torço com todas as forças pela Argentina. Dane-se quem não gosta. Dane-se quem acha que está errado e que eu não sou – acredite! – patriota.
Como se patriotismo tivesse alguma coisa a ver com jogo de futebol.
Enfim, já que a única opção é torcer por estrangeiros, acho melhor torcer por gente que ainda joga com o coração, com raça e amor à camisa.
Maradona é digno de levantar a taça mais uma vez, apesar dos tantos problemas e confusões em que se meteu. Sempre tratou bem a bola! Aliás, apenas Pelé tratou a redonda com mais carinho que Diegol.

Traje para assistir aos jogos do Brasil na Copa 2010.
Já o anão, sempre a estuprou.
Quando foi campeão, xingou grosseiramente a taça. Odeia o bom futebol. Não tenho estômago para agüentá-lo bradando que é campeão.
Só volto a torcer pela seleção brasileira no dia em que os convocados forem jogadores que atuam em clubes brasileiros! E não tem problema se isso jamais acontecer. Continuarei torcendo para a Argentina ad eternum.
Enquanto isso não acontece, continuo sofrendo com o Palmeiras e vestindo com orgulho a albiceleste.
Vamos Argentina, vamos a ganar!!
P.S. Também estou com o saco cheio dessa história de que jogador tem que ser “guerreiro” (para agradar a cervejaria Brahma).
Jogador brasileiro tem que ser artilheiro, driblador, goleador, craque. Tem que ser Divino, Maravilha, Enciclopédia, Furacão, Diamante, Alegria do Povo!
Outro dia ouvi elogios ao Lúcio, pois ele é “raçudo”. Na minha opinião ele tem que ser primeiramente “classudo”!
Nunca ouvi dizer que Garrincha era guerreiro. Nunca o vi fazendo micagens para câmeras e batendo no peito como um gorila ou como um soldado de tempos medievais.
O mesmo vale para Pelé, Zico, Gerson, Ademir da Guia, Romário, Falcão, Jairzinho, Rivellino, Tostão, etc…. Esses, sim, ídolos legítimos e imortais do futebol brasileiro. Para esses eu torço e jamais deixarei de torcer!!

